sexta-feira, 12 de novembro de 2010

2.5

Nenhuma despedida é boa.
Hoje, faço as malas e despeço-me.
Sei que há a possibilidade de voltar, nem que seja para uma breve visita. Mas, nessa altura, ele já não será meu. Será de outra menina cheia de sonhos e pronta a agarrar o futuro.
Gostava de passar o testemunho a essa nova habitante de um espaço que, na verdade, nunca me pertenceu. Gostava de lhe explicar que aqui pode ser ela própria, que este pode ser o cenário de muitas aventuras e momentos que nunca se apagarão da memória...

De facto, se pensar bem, nestes 3 anos este foi o palco principal (ou secundário) de muitas histórias.
Ri às gargalhadas e chorei desalmadamente,
saltei de felicidade e tremi de nervos,
preparei-me para grandes noites de loucura e, outras vezes, para longas noites de estudo,
curei ressacas, fiquei doente e fiquei curada,
tive conversas muito sérias e outras muito parvas e fúteis,
fiz grandes amigas,
tive desilusões com outros amigos,
senti-me em casa e experimentei a solidão,
amei, sofri, fiz planos e SONHEI!
Mas, acima tudo, sei que neste pequeno e simples lugar fui EU... (talvez pela primeira vez)
Vou sempre recordá-lo com carinho :) neste preciso momento, rola uma lágrima pela minha face... porque sou mimada e piegas, ou então porque sei que vou sentir muita falta deste MEU espaço.

Escrevo porque tenho que escrever... tenho que me assegurar que nunca me vou esquecer do meu 2.5, quarto do amor <3

domingo, 31 de outubro de 2010

Chove. Nada apetece...


Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva 
Não faz ruído senão com sossego. 
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva 
Do que não sabe, o sentimento é cego. 
Chove. Meu ser (quem sou) renego... 

Tão calma é a chuva que se solta no ar 
(Nem parece de nuvens) que parece 
Que não é chuva, mas um sussurrar 
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece. 
Chove. Nada apetece... 

Não paira vento, não há céu que eu sinta. 
Chove longínqua e indistintamente, 
Como uma coisa certa que nos minta, 
Como um grande desejo que nos mente. 
Chove. Nada em mim sente... 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

sábado, 23 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Não me perguntem porquê mas hoje apetece-me chorar.
Ou melhor, perguntem. Preciso que me perguntem. Talvez enquanto tento descobrir uma resposta plausível para vos dar descubra a verdade em mim mesma.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Há esperanças que deviam estar mortas.
Para que valem, afinal de contas? Nunca deixam de ser só esperanças!
Não passam de ideias intangíveis que confundem a nossa mente e nos deixam num estado obnubilado que nos impede de ver a realidade.
Sim, passamos a vida nisto. Esforçamo-nos ao máximo para ver tudo, menos a realidade.
Nós, que tantas vezes nos consideramos preguiçosos, passamos HORAS a criar estórias para as nossas próprias vidas e depois ainda temos o descaramento de nos lamentar que a nossa vida é complicada.
Somos nós que a complicamos. A nossa ambição chega ao ponto de não nos contentarmos com a nossa própria estória, queremos MAIS. Então, transformamos essa estória numa 'quase-realidade' para assim podermos ter esperança que se repita (como é que algo se pode repetir se nunca aconteceu?). E aguardamos, pacientemente... até que chega a frustração.
É absurdo.

E desculpem-me por usar aqui o 'nós', mas criei este hábito. Correndo o risco de ser incoerente, julgo que o faço por ter 'esperança' que alguém pense como eu. 

domingo, 10 de outubro de 2010